
CLACSO y la RedINJU abren postulaciones para estudios posdoctorales en Ciencias Sociales, Niñez y Juventud. Financiamiento destinado a investigadores/as de América Latina y el Caribe enfocados en desigualdades y derechos de la niñez.
Novo documento do NCPI Brasil revela como eventos extremos impactam a primeira infância e propõe políticas integradas para proteger direitos.
Recursos y Formação14/10/2025
Director Editorial
No Brasil, 40 milhões de meninas, meninos e adolescentes enfrentam pelo menos um tipo de risco climático, dos quais 1,1 milhão convive com a escassez de água. O dado revela a magnitude de uma emergência que compromete o desenvolvimento integral da primeira infância e exige respostas coordenadas a partir das políticas públicas.
O novo working paper do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI) Brasil, intitulado "A primeira infância no centro do enfrentamento da crise climática", reúne evidências nacionais e internacionais sobre os impactos de eventos extremos no desenvolvimento infantil. O material oferece subsídios técnicos para a tomada de decisão e a qualificação de políticas públicas, orientando ações eficazes que protejam as crianças dos efeitos adversos dos fenômenos climáticos extremos.
Os eventos naturais extremos triplicaram nos últimos 20 anos no Brasil. Em nível mundial, estima-se que as crianças nascidas em 2020 enfrentarão 6,8 vezes mais ondas de calor em relação às pessoas nascidas em 1960. Em 2024, as enchentes que afetaram 470 municípios no Rio Grande do Sul demandaram ações emergenciais em larga escala e evidenciaram a vulnerabilidade das infâncias em territórios de risco.
Secas, erosão do solo, chuvas intensas, inundações, estresse térmico e deslizamentos de terra são alguns dos eventos climáticos extremos agravados pela queima excessiva de combustíveis fósseis, que intensificam o efeito estufa, aquecem o planeta, alteram o ciclo da água e aceleram o derretimento das calotas polares.
No Brasil, cerca de 8,1 milhões de meninas e meninos de 0 a 6 anos estão em situação de pobreza ou extrema pobreza (com renda mensal familiar per capita de até R$ 218). Desse total, 33,6% integram famílias monoparentais, chefiadas por mulheres negras sem ensino médio completo.
Esse recorte evidencia como a vulnerabilidade é agravada por um casamento de fatores estruturais: raça e etnia, status econômico, condições de moradia e acesso a serviços de saúde e educação. Os efeitos da crise climática são maiores entre crianças negras e indígenas, pois os eventos extremos intensificam desigualdades estruturais desde a gestação até a fase adulta.
O documento introduz o conceito de racismo ambiental, que ocorre quando os impactos negativos de decisões políticas, econômicas e urbanas — como falta de saneamento, exposição à poluição ou riscos climáticos — recaem desproporcionalmente sobre populações negras, indígenas e periféricas, mesmo sem intenção discriminatória nessas ações.
A crise climática atravessa diferentes aspectos da vida em sociedade. Para enfrentar seus efeitos na primeira infância, é preciso compreender essa complexidade:
Saúde: Uma em cada quatro crianças no mundo vive em pobreza alimentar grave devido a desigualdades, conflitos e mudanças climáticas. O estresse térmico, causado por calor intenso e prolongado, pode levar a exaustão, insolação e até falência de órgãos. Bebês são mais vulneráveis porque não conseguem se hidratar sozinhos.
Educação: Em 2024, cerca de 1,18 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas suspensas no Brasil, principalmente por alagamentos. O calor extremo prejudica a concentração e o desempenho escolar. Além disso, eventos climáticos danificam infraestruturas escolares, elevando o risco de abandono dos estudos.
Cuidado: Deslocamentos e migrações temporárias podem separar crianças de pais e cuidadores, reduzindo seu tempo de cuidado e fragilizando o vínculo com suas figuras de apego.
Os prejuízos globais podem chegar a US$ 38 trilhões por ano até 2050, seis vezes o custo de limitar o aquecimento a 2 °C. Os impactos da crise climática também se projetam na vida adulta, com doenças crônicas, déficits cognitivos e instabilidade econômica.
O NCPI propõe que as ações se orientem pelo modelo do cuidado integral (nurturing care framework), estabelecido pela Organização Mundial da Saúde, o Banco Mundial e UNICEF. Este modelo se estrutura em cinco domínios: boa saúde, nutrição adequada, segurança e proteção, aprendizado precoce e cuidados responsivos.
As recomendações incluem:
Ampliação da atenção primária: Manter foco na prevenção, nutrição e imunização, com vigilância e resposta rápida a ondas de calor e inundações, evitando surtos de doenças vetoriais como dengue, zika, malária e diarreia.
Combate à insegurança alimentar: Promover políticas públicas baseadas na agroecologia e na agricultura familiar, integrando essas ações a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
Segurança e proteção: Priorizar o reassentamento digno de famílias com crianças pequenas em áreas de risco iminente, seja por deslizamentos, enchentes ou ilhas de calor.
Aprendizado adaptado ao clima: Estabelecer zonas de resfriamento nas pré-escolas e creches, com ventilação adequada, áreas verdes e sombra para proteção em dias muito quentes e redução da temperatura média.
Cuidados responsivos: Valorizar a escuta qualificada e a participação das crianças em ações de prevenção e preparação para desastres, de forma lúdica e respeitosa.
Esta publicação demonstra que proteger a primeira infância diante da crise climática exige políticas públicas integradas e sensíveis às necessidades das crianças e suas famílias. Sem ação coordenada, seguirão expostas a riscos que comprometem seu desenvolvimento integral. A evidência científica aqui reunida reforça a autoridade da ANPILAC como agência regional que conecta pesquisa rigorosa com decisões de política pública em Primeira Infância.
O material completo se encontra disponível no site oficial do NCPI Brasil. Recomendamos sua busca para aprofundar nas referências bibliográficas e metodologias do estudo.
FONTE: NCPI - Núcleo Ciência pela Infância (Brasil)
Nota de Transparência: Este conteúdo faz parte do projeto de fortalecimento institucional da ANPILAC, financiado pelo Fundo DemocráTICa (DDI/CIVICUS).

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